Comemoravam um ano de namoro.
Ele, 28 anos, sentia-se bem. Ela, 25 anos, não...
- Você quer mesmo sair para jantar?
- Por que a pergunta? Você não quer?
- Nada disso. Só perguntei porque estou te achando estranha hoje.
- Estranha como? Não gostou da minha roupa? Ah! Já sei! Não gostou da cor do meu cabelo, né?
- Você pintou?
- Não reparou? Gastei meu dinheiro todo e você sequer notou a diferença?
- Hum... hum ... Agora que falou... está mesmo diferente.
- Diferente, diferente... Diferente não é bonito.
- Mas está bonito!
- Não adianta. Você disse diferente e não bonito.
- Puxa como você complica, hein? Diferente é diferente. Nem bonito, nem feio...
- Mais alguma queixa? Parece até que está arrumando motivo prá gente brigar. O que foi? Tem jogo hoje?
- Não!!! Que saco! Vamos logo ou perderemos a reserva.
- Se for só para não perder a reserva, eu não vou. Você quer ou não quer sair hoje?
- Quero. Quero muito.
- MENTIROSO. Homem é tudo igual.
- O que eu fiz? Você está agindo feito uma maluca.
- Agora eu sou a maluca, né? Você deixou de me amar. Isso sim. Quer terminar o namoro e não tem coragem!
- Se eu quisesse terminar, por que estaria aqui hoje para comemorar um ano juntos?
- Porque não quer me magoar.
- E não quero mesmo.
- Viu? Eu sabia!
(pausa para lágrimas)
- Princesa, vou te contar um segredo sobre os homens.
- ???
- Quando a gente quer ficar com alguém, a gente fica.
- Sei... E quando não quer ficar?
- A gente NÃO fica.
- Simples assim?
- É.
- Que mais?
- Quando a gente diz uma coisa, a gente quer mesmo dizer aquela coisa. Nem mais, nem menos.
- Sério?
- É.
- Conta mais. Conta mais... rs
- Isso é o principal.
- Quer dizer que se você não me ligar amanhã é porque não quer mesmo ligar? Não é só charme?
- Homem que é homem não faz charme.
- Se você tivesse outra mulher me contaria?
- Não.
- Então você tem outra?
- Não!
- Como vou saber se é verdade se você mesmo disse que não me contaria?
- Não vai saber, mas não se preocupe. Se um homem quiser mesmo ficar com uma mulher, ele pode até dar uma escorregadinha por aí, mas vai continuar com ela.
- E se estiver apaixonado pela outra?
- Ficará com a outra.
- Mas isso é muito racional!!!
- Pois é... Vamos?
- Qual restaurante você reservou?
- O mesmo onde nos conhecemos.
- Que romântico! E depois? O que faremos?
- Uma suíte romântica nos espera...
- Você reservou motel também?
- Claro!
- Então você não quer sair comigo. Quer outra coisa!
- Não gostou da surpresa?
- Não. Me sinto um verdadeiro "jantar ambulante".
- Podemos ir direto para o motel, se preferir...
- Eu sabia! Eu sabia! Quer transformar esta noite em um jantar de despedida, né? Pois não vou deixar acontecer. ESTÁ TUDO TERMINADO ENTRE A GENTE!
Comemoravam um ano de namoro.
Ele, 28 anos, sentia-se mal. Ela, 25 anos, não...
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terça-feira, 29 de março de 2011
Duda Língua Solta
"Roubar idéias de uma pessoa é plágio.
Roubar de várias é monografia..."
(Duda é o novo correspondente do blog da Tina)
sábado, 26 de março de 2011
O Milagre do Pão de Queijo
Mais de uma hora no aeroporto. Passou pelo portão de embarque rumo à revista obrigatória. Retirou os óculos. Depositou-os na bandeja com o celular, a carteira, cinco moedas e o velho relógio de prata, companheiro de todas as horas. Checou os bolsos. Sentiu o gelo do metal frio enrijar os dedos. Apalpava a prótese tentando lembrar a última vez que a tirara da boca. Meia hora atrás, se muito. Acontecera no bar. Pedira um pão de queijo para acompanhar o expresso. Sendo nova a peça, teve receio de danificá-la. Longe do alcance dos olhares curiosos, puxou-a de supetão, escondendo-a no bolso, enrolada ao guardanapo. A lembrança foi cortada pelo tom áspero. "Sr. é a sua vez!" Acelerou o passo, ultrapassando a faixa amarela. O alarme soou alto. Olhares indiscretos censuravam calados o senhor de barba branca que atrasava a fila. "Por favor, retorne à faixa e passe outra vez pelo detector de metais." Mesmo percurso; mesmo desfecho. Apenas o alarme pareceu-lhe outro, de maior duração. Retornou ao ponto de partida. Menos por cortesia e mais por querer livrar-se do problema, a segurança ofereceu a opção de passar os sapatos pelo Raio X ou seguir direto para a inspeção. Exasperou-se. "Minha senhora, desse jeito vou perder o vôo. Já esvaziei os bolsos. Depositei todos os meus pertences na bandeja. O que mais quer? Que tire a roupa?" A funcionária olhava-o com desconfiança. Sabia de casos de sequestros, tráfico de entorpecentes e ações terroristas praticados por cidadãos comuns da terceira idade. "Sr. não vou deixá-lo embarcar enquanto não descobrir o que está acontecendo". Tirou os sapatos. Atravessou o corredor como um condenado, implorando a Deus pelo milagre que não veio. O som agudo foi suficiente para reforçar o antigo ateísmo. Três novos seguranças posicionaram-se ao lado de sua algoz. "O Sr. tem certeza que esvaziou mesmo os bolsos?" Ao que respondeu bastante irritado. "É sempre assim. Preferem duvidar da gente a imaginar qualquer defeito no equipamento". O clima frio fora do aeroporto pouco amenizava o clima quente de dentro. "Infelizmente temos de revistá-lo. Queira dirigir-se à cabine, por favor." Exausto, aproximou-se do balcão. Sussurrou. "Eu sei o que fez soar o alarme. Foi minha prótese!" A equipe deu um passo à frente. Pediu que repetisse o que dissera. O zum zum zum das reclamações era ensurdecedor. "Foi a minha prótese!", repetiu mais alto. "Como?", retrucaram os quatro, em uníssono. Explodiu. "Minha dentadura! Den-ta-du-ra!!!" Para manter o comando, a segurança conteve o riso. "Sr., peço-lhe que coloque a dentadura na bandeja para que possamos liberá-lo." A crueza da ordem tirou-lhe o chão. Toda sua vergonha seria depositada ali. À frente de todos. Respirou fundo. Manteve a dignidade. "Minha senhora, em 45 anos de casado, nunca mostrei esta prótese sequer para minha esposa! Não será a senhora a primeira mulher que irá vê-la!" Saiu da fila de queixo erguido e sorriso seguro no bolso. Chegou em casa. A viagem era por conta das férias. Sua família o esperava na praia. Refletiu sobre a dificuldade que teria para comprar nova passagem. Girou a maçaneta e entrou. Largou a maleta no chão. No ar, cheiro de algo ainda queimando. Vinha da área de serviço. Percebeu pela nuvem de fumaça. Deixara o ferro ligado à tomada, em cima da tábua de passar roupa. Por pouco teria provocado um incêndio. Sabe-se lá de qual proporção. Por pouco estaria sentado em pleno vôo, sem saber que perdia a casa e, com ela, sua aposentadoria. Por pouco Deus o teria convertido cristão. Mas a personalidade desconfiada o fez acreditar em outro milagre. Fora salvo por um simples pão de queijo.
E por pouco, muito pouco...
E por pouco, muito pouco...
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