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domingo, 4 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Tina voltou...
...mais míope que nunca!
Estou enxergando novos nomes em tudo o que vejo de errado por aí. Olha só os exemplos que selecionei para você e tire suas próprias conclusões:
- Intolerância à imbecilidade virou dificuldade de lidar com o contraditório.
- Criança levada é hiperativa; estudante negligente tem déficit de atenção.
- "Zoação" de adolescente virou bulling criminoso até que se prove o contrário.
- Demissão de funcionário incompetente é assédio moral; elogio de funcionaria competente, sexual.
- Favela é palavrão; correto é comunidade (ainda que, em muitos casos, nada tenha mudado).
- Não trabalhar é o mesmo que ser chefe (ou gestor); honestidade virou diferencial de mercado (para o bem ou para o mal, dependendo de onde se está).
- Engordar é crime hediondo sujeito à pena de isolamento social.
Tô exagerando? Então dê o devido desconto. Ainda assim você vai perceber que existe um novo vírus no ar. Cuidado! Ele se espalha muito rápido: é o hypókrisis semantiké.
Em época de escassez de tempo para lidar com tantas dificuldades é um oásis para nossa sociedade dar novos nomes a velhos problemas...
sábado, 8 de outubro de 2011
Gafes
As gafes fazem parte da vida. A parte arteira da vida. São simples,
ingênuas e verdadeiras. Geralmente surgem nos momentos mais inesperados. Eliminam defesas. Expõe medos, fraquezas e
limitações. Na minha imaginação, a história com elas se dá
mais ou menos assim. O comando central dispara a ordem: “Atenção! Atenção! Acionar gafe. Favor desprogramar defesas e liberar travas!". Quando isso acontece, cuidado! Muita coisa pode acontecer. No ano passado, minha amiga Alice (nome fictício)
resolveu preparar uma surpresa para o marido que estava viajando a trabalho há mais de um mês. Ela soube que ele voltaria para casa na semana anterior à data programada. A secretária descobriu a novidade. O plano inicial era pegá-lo no aeroporto e curtir um jantar em
grande estilo. Depois de tanto tempo sem se verem, Alice queria que tudo saísse romanticamente perfeito. Foi então que se lembrou da cena do filme “Uma Linda
Mulher”, onde Julia Roberts aguarda Richard Gere no quarto de um hotel vestida com uma gravata masculina. “Bingo!”, pensou Alice. Pensou não. Ela fez. Toda a cena. Com
direito a detalhes cinematográficos: taças de champanhe e frutas vermelhas para erotizar ainda mais o ambiente. No dia D, preparou-se cedo e aguardou ansiosa o horário da chegada do amado. Em casa. Sentada na
sala. E pelada. Ela com seu perfume. Pensativa. Ansiosa. Feliz. Aguardando a entrada triunfal: Dele. Não demorou muito. Ouviu o carro estacionando na garagem. O mesmo giro da chave
na porta. Passos firmes no hall. Finalmente havia chegado. Estava bem ali. Parado. Lindo
e charmoso como sempre. Mas havia algo errado. Algo que não
conseguiu entender de imediato e que a deixou constrangida. Era o olhar dele. Frio como o gelo que agora balançava dentro da taça trêmula. Aquele olhar congelou sua
reação de tal forma que ficou muda e imóvel por uma eternidade. O que teria acontecido?
O que teria feito de errado? Exagerara na surpresa? Qual o problema? Teria sido a
gravata? O champagne? Mas o que..? Foi então que os gritos trouxeram-na de
volta à realidade. “Onde ele está,
Alice? Onde se escondeu o canalha? Diga logo!!! Onde ele está???” Foi aí que ela entendeu tudo. Ele também imaginara fazer uma surpresa. Tanto que saiu
percorrendo todos os cômodos da casa atrás do "suposto" amante, sem querer
escutar as explicações ou dar bola para as lágrimas da esposa. “Não é nada disso que você está pensando”,
disse ela. O clichê era a mais pura verdade. Depois de muita briga, histeria e choro resolveram dar um tempo. Foi o suficiente. No mês seguinte estavam separados. Tempos depois, tudo devidamente esclarecido, tiveram a cara de pau de por a culpa nela. Na gafe. Uma
simples gafe destruiu sozinha 15 anos de um casamento perfeito. Foi a explicação dada. A única coisa que não conseguiram explicar e nem descobrir até hoje foi se a
gafe havia sido dela ou dele...
domingo, 25 de setembro de 2011
Corrupção
O Valor Econômico publicou em 23/09 artigo do professor Alberto Carlos Almeida, autor de "A Cabeça do Brasileiro", sobre reforma política e corrupção. Segundo ele, o problema da corrupção está mais relacionado à nossa fragilidade institucional do que a modelos eleitorais abertos ou fechados. Reflitamos sobre isso. Na condição de profundo conhecedor das idiossincrasias brasileiras, não estaria o professor disposto a provocar uma discussão maior do que aquela que nos aponta em seu artigo? Será que seu objetivo não seria analisar as matizes de nossa cultura? Estaria ele se propondo a debater questões mais complexas e que tem a ver com comportamento, atitude diante dessa ou daquela situação, ou mesmo com a desgastada, porém ainda válida, lei de Gérson? Nas entrelinhas de seu discurso ele esconde a pergunta: somos um povo corrupto? A dúvida gera mal estar e vai na contramão do sentimento ufanista que, por vezes, surge no horizonte verde e amarelo e deixa a realidade mais colorida do que de fato ela é. Somos um povo corrupto? As situações cotidianas são sempre bastante reveladoras. A sensação é de "déjà vu", e a semelhança com a realidade, infelizmente, não é mera coincidência. Dia desses, um síndico (conhecido meu) resolveu contratar serviço de segurança para seu condomínio. Das empresas contactadas, todas, sem exceção, apresentaram orçamentos que, se aprovados, gerariam vantagens "extras" para o síndico e "benefícios" para sua propriedade privada. Tudo sem "nenhum" custo adicional. Sabe aquela historia do almoço grátis? Pois é. Atitude vergonhosa. Por outro lado, dentro de casa, o mesmo síndico que reclamou para mim da tentativa de corrupção por parte dos fornecedores, há mais de cinco anos deixa de recolher os impostos trabalhistas devidos à empregada domestica que contratou para cuidar de sua casa. Enquanto clama por justiça social, o tal sindico e muitas outras famílias negam direitos mínimos a milhares de profissionais que continuam a viver na informalidade. Almeida está certo. É fato que nossas instituições não funcionam como deveriam. Mas também é fato que nós, brasileiros, não funcionamos como deveríamos. Ainda não somos um povo que possa se orgulhar do exercício pleno de sua cidadania. Somos tão bons em pleitear direitos quanto em esquecer de nossos deveres. Talvez nos falte maturidade e auto-crítica suficientes para reconhecer o problema e seguir adiante. No combate à corrupção cada um deve fazer a sua parte. Corrupção não é só coisa da cabeça de político brasileiro. Ela permeia outras cabeças também. Resta saber quantas, de quem são e o que elas pensam. Tema para um novo estudo...
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Excessos
Tudo em excesso faz mal. Ao corpo e à alma. Uma inofensiva castanha, se consumida de forma exagerada, pode causar sérios problemas à saúde. Da mesma forma, o amor desmedido, sem limites, pode fazer ruir a estrutura emocional de quem ama ou é amado. Mas existem excessos que causam outros tipos de danos. É o caso do PODER. Poder demais corrompe. Destrói. Anestesia. Vira ditadura. Poder demais é ilegítimo. Desconhece as leis. Ignora o Direito. Quando vivo, meu pai repetia sempre: “Tina, o seu direito acaba quando começa o direito do outro”. Lição difícil. No trânsito, no trabalho ou em casa. É preciso enxergar para o outro os mesmos direitos que enxergamos para a gente. O oposto disso chama-se excesso. Ou, se preferir, abuso de poder. Inúmeros excessos têm sido cometidos nos últimos anos. Excesso de algemas. Excesso de fotos. Excesso de denúncias. Excesso de prisões. Excesso de calúnias, injúrias e difamações. Ao içar a bandeira da moralidade tudo parece permitido. “O que significa a desonra de um inocente em meio à prisão de mil culpados?” Os fins estão aí para justificar o injustificável. Em nome da educação, crianças são espancadas. Em nome da honra, mulheres são assassinadas. Em nome da causa, propriedades são invadidas. Em nome da notícia, mentiras são divulgadas. Em nome de partidos, leis são desrespeitadas. Em nome de Deus, cidades são destruídas. Em nome da paz, guerras são iniciadas. Em nome da democracia, soberanias são aviltadas. Em nome do desenvolvimento, o planeta é destruído. Enfim, em nome do povo vale qualquer negócio. O problema é que o “em nome de” é, na verdade, um grande blefe, cujo único objetivo é o PODER. "Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso." O autor dessa célebre frase chama-se Edmund Burke. Lembro de outra frase igualmente célebre encontrada no artigo 5º da Constituição Brasileira e que serve de antídoto para o aviso dado pelo filósofo irlandês: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Daí o “princípio da presunção de inocência”. É obrigação do Estado garantir que processos investigativos sejam conduzidos com a menor restrição possível aos direitos individuais, preservando a dignidade e a intimidade da pessoa acusada, assegurando-lhe tratamento compatível com sua condição inicial de inocente. A restrição da liberdade, quando ocorrer, deve estar baseada em fatos e dados concretos. Deve, acima de tudo, preservar os direitos do cidadão, evitando constrangimentos, humilhações ou exposição indevida, especialmente pelos meios de comunicação. Estranho. Tenho a nítida impressão de que no Brasil a práxis é outra. Aqui, “todo mundo é culpado até que prove o contrário”. Com um agravante: o ônus da prova recai sempre sobre o acusado. Sem exceção. Apenas EXCESSOS...
sábado, 27 de agosto de 2011
Plano x Idéias = Powerpoint
É de dar inveja a capacidade que o gestor público tem de produzir diagnósticos "powerpointnescos". Inveja maior causam as idéias que surgem desse universo informacional. Para todo problema uma solução. Mesmo que inviável. E quase sempre desprovida do velho e bom checklist 5W2H. What? (Ação), Why? (Justificativa), Where (Local), When? (Prazo), Who? (Responsável), How? (Estratégia), How much? (Custo). Tive contato com esta fórmula ainda na universidade quando estudava jornalismo. Foi onde aprendi que até uma breve notícia de jornal necessita de um mínimo de aprofundamento para ser veiculada. Na administração pública o planejamento peca ao dar mais importância para a idéia do que para a ação, o que torna o espaço existente entre as duas maior que o abismo Laurenciano, cuja fossa abissal localizada no Canadá há muito deixou de ser a mais profunda do planeta. Ponto para o Brasil. Aqui, pouco do que se planeja na área governamental vira realidade. Afinal, papel e power point aceitam tudo. Os administradores públicos pegaram a manha dos jogadores de futebol: passaram a jogar para a platéia. A generalização é proposital. A quantidade de iniciativas e ações propostas no serviço público cresce na proporção inversa de seus resultados. Uma das razões é a falta de qualificação profissional. Não basta a realização de concursos públicos para preencher cargos disponíveis no setor. Isso é "default". Necessário dar um passo à frente. Investir na elaboração de planos de carreira e na formulação de políticas que garantam a ascensão profissional com base no mérito (avaliação do desempenho individual) e no esforço pessoal (busca continua por capacitação e reciclagem). Para os casos em que o servidor exerça cargo de direção, o nível de cobrança deve ser ainda maior, exigindo-lhe o compromisso de contribuir para o resultado do conjunto das ações públicas, o que significa enxergar a tal floresta e não apenas um pedacinho do caule do seu ipê. Outras situações precisam ser enfrentadas, a exemplo da histórica dicotomia entre o papel de quem decide (político) e o papel de quem executa (servidor). Diz a prática que o segundo está sempre a serviço do primeiro, o que nos remete à pior concepção de um burocrata: aquele que trabalha para o chefe imediato e não para o Estado. Some-se a isso a inexistência em pleno domínio da tecnologia da informação de um sistema confiável que consiga avaliar o desempenho individual do gestor público. A maioria dos indicadores existentes controla, quando muito, os resultados de unidades ou setores inteiros. Raríssimos são os casos de monitoramento da performance particularizada dos responsáveis pela formulação ou implementação de ações, projetos, programas ou políticas governamentais. Várias reformas administrativas ocorreram sem que o Estado enfrentasse essas distorções. Modernos instrumentos de combate à corrupção foram lançados como panacéia da burocracia do Estado Brasileiro. Mas a realidade mostra que sempre existiu grande incapacidade das autoridades competentes em promoverem uma agenda nacional em prol da qualidade da gestão pública. As inovações administrativas ocorrem por espasmos, oriundas de iniciativas isoladas, sem o necessário eco social. O processo de fortalecimento da democracia participativa, apesar dos avanços, ainda é considerado incipiente. Poucos governos (municipais, estaduais, distritais ou federais) acreditam na eficácia do diálogo permanente com a sociedade como forma de fortalecer, aprimorar e controlar os resultados de ações ou políticas públicas. Um controle social rígido evitaria, por exemplo, que um servidor ocupasse determinado cargo na área pública (durante anos!) sem apresentar nenhum resultado. Aos olhos míopes do Estado o que importa é que aquele burocrata permaneça "ficha limpa". Ou seja, desde que não recaia sobre ele nenhuma ação de improbidade administrativa, o resto é mero detalhe. Com isso, o que era para ser obrigação tornou-se diferencial na carreira pública. Não se enxerga que o custo da ineficiência pode ser maior que o da corrupção. Ambos devem ser combatidos com igual rigor. Não dá para achar que aquilo que era para ser obrigação - honestidade - sirva para premiar servidor medíocre. Não é de se estranhar que mais e mais jovens estejam abdicando de suas vocações e do sonho de uma carreira profissional de sucesso para virarem "concurseiros", estudando diuturnamente com o objetivo de passar em algum concurso público. Qualquer um. De auditor fiscal à funcionário de estatal vale tudo. Se aprovados, imaginam todos, estará garantida uma gorda e cobiçada renda vitalícia. Chova ou faça sol. Com ou sem resultado. A ironia é que cedo ou tarde virá a pergunta: e para que serve mesmo um Estado sem resultado, hein?
C'était un rendez vous!
Fonte: Spam
Em agosto de 1978, portanto há 33 anos, o cineasta francês Claude Lelouch adaptou uma câmera giroscopicamente estabilizada na frente de um Ferrari 275 GTB e convidou um amigo, piloto profissional de Fórmula 1, para fazer um trajeto no coração de Paris, na maior velocidade que ele pudesse. A hora seria logo que o dia clareasse. O filme só dava para 10 minutos e o trajeto seria de Porte Dauphine, através do Louvre até a basílica de SacreCoeur. Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no perigoso trajeto a ser percorrido. O piloto completou o circuito em 9 minutos, chegando a 260 km por hora em certos momentos. O filme mostra-o furando sinais vermelhos, quase atropelando pedestres, espantando pombos entrando em ruas de sentido único. O sol nem havia raiado ainda. O piloto, teria sido René Arnoux, ou Jean-Pierre Jarier. Quando mostrou o filme em público pela primeira vez, Claude Lelouch foi preso. Mas ele nunca revelou o nome do piloto de fórmula 1 que pilotou a máquina e o filme foi proibido, passando a circular só no underground. Se você não viu ainda o clássico, prenda a respiração e clique no link do título ou direto no menu à direita de sua tela. Vale a pena curtir a emoção de passear em Paris como se estivesse a bordo de um Ferrari 275 GTB.
Em agosto de 1978, portanto há 33 anos, o cineasta francês Claude Lelouch adaptou uma câmera giroscopicamente estabilizada na frente de um Ferrari 275 GTB e convidou um amigo, piloto profissional de Fórmula 1, para fazer um trajeto no coração de Paris, na maior velocidade que ele pudesse. A hora seria logo que o dia clareasse. O filme só dava para 10 minutos e o trajeto seria de Porte Dauphine, através do Louvre até a basílica de SacreCoeur. Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no perigoso trajeto a ser percorrido. O piloto completou o circuito em 9 minutos, chegando a 260 km por hora em certos momentos. O filme mostra-o furando sinais vermelhos, quase atropelando pedestres, espantando pombos entrando em ruas de sentido único. O sol nem havia raiado ainda. O piloto, teria sido René Arnoux, ou Jean-Pierre Jarier. Quando mostrou o filme em público pela primeira vez, Claude Lelouch foi preso. Mas ele nunca revelou o nome do piloto de fórmula 1 que pilotou a máquina e o filme foi proibido, passando a circular só no underground. Se você não viu ainda o clássico, prenda a respiração e clique no link do título ou direto no menu à direita de sua tela. Vale a pena curtir a emoção de passear em Paris como se estivesse a bordo de um Ferrari 275 GTB.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Patrocinar é um bom negócio?
Verdade seja escrita. Não é de hoje que empresários dos mais diferentes ramos de atuação discutem sobre a eficácia dos investimentos alocados em ações de comunicação e marketing. Há pelo menos 30 anos já se buscava uma forma de mensurar a relação entre o volume investido em publicidade e o crescimento esperado dos negócios. A expectativa era de que a cada inserção comercial no intervalo da novela das oito corresponderia uma venda de um produto ou serviço anunciante. Impossível? Não. Absurdo? Pode ser. Com o passar do tempo, a celeuma balzaquiana arrefeceu (thanks God). Contribuíram para isso o advento da comunicação digital, o surgimento de sofisticados sistemas de monitoramento e modernas ferramentas de avaliação de resultados, trazendo maior conforto para os CEOs e mais trabalho para as agências de propaganda. No entanto, todo esse aparato tecnológico pouco contribuiu para o entendimento da relevância do patrocínio empresarial do ponto de vista estratégico. Nesse campo ainda impera o ceticismo. É minoria a legião de profissionais que consideram-no, de fato, um bom negócio.
O patrocínio nasceu na publicidade; cresceu no marketing de eventos; especializou-se no segmento esportivo; intensificou-se na área da cultura via leis de incentivo fiscal; diversificou-se no apoio a outros setores; conquistou espaço na era do "CRM" (gestão do relacionamento com clientes); ganhou notoriedade a partir do crescimento da indústria de entretenimento, adquirindo múltiplas funções. Por meio dele foi possível ampliar o escopo da comunicação, consolidando boas práticas de cidadania corporativa e, o mais importante, superando o desafio imposto pela saturação da publicidade convencional. Porém, o crescimento acelerado do patrocínio trouxe consigo vícios que devem ser eliminados. A inexistência de critérios claros para seleção de projetos e a falta de sinergia entre as ações de comunicação e a estratégia empresarial induziram a pulverização excessiva dos investimentos. O patrocínio passou a ser visto como uma espécie de “recurso não-reembolsável”. Ou seja, apoio financeiro sem retorno quantificável. Em casos mais graves: AÇÃO EM 3D: DESPESA, DOAÇÃO E DESPERDÍCIO. Nada mais anacrônico. As ações de patrocínio, em sua maioria, dão resultado. O problema é que esse resultado normalmente não aparece no curto prazo. Mesmo projetos institucionais, que garantem “somente” exposição da marca, são invariavelmente oportunidades de fortalecimento da imagem da empresa, de seus produtos e serviços. Quando bem trabalhados, com ações de ativação, trazem grande retorno a médio e longo prazos. Exemplos: lealdade de clientes, recall de marca, rejuvenescimento da imagem, simpatia dos públicos de interesse, maior inserção da empresa na comunidade, dentre outros. Infelizmente, pirronismo de um lado e falso pragmatismo de outro prevalecem em detrimento dos benefícios oriundos de um processo de planejamento e foco do qual carece o patrocínio empresarial. A muitos executivos falta a necessária energia gerencial para estabelecer objetivos e metas claras, definir o público que se pretende atingir e estabelecer valores e atributos que se deseja ressaltar antes de fixarem o orçamento disponível para cada exercício.
Simples assim? Pergunta o leitor. Não. Responde a blogueira. Para tornar o patrocínio um bom negócio é preciso mais. É preciso também garantir o tripé da democratização (igualdade de oportunidade e acesso do público a bens, produtos e serviços resultantes das ações patrocinadas), transparência (critérios e mecanismos de seleção pública para escolha de projetos), e articulação (construção de redes e ações de mobilização social). E tudo isso acrescido de um ingrediente final. Um segredo da culinária administrativa que sempre confere sabor especial ao prato patrocinado. Além de se caracterizar como diferencial na promoção da marca ou mesmo na venda de produtos, o patrocínio pode, aliás DEVE, gerar valor para a sociedade. O bom uso das ações patrocinadas permite reforçar iniciativas no campo da responsabilidade social. A abordagem corporativa dada pelo triple bottom line * reforça o conceito de sustentabilidade também inserido no contexto das ações de patrocínio. Existe um movimento que revela que as empresas começam a despertar para a necessidade de alinhar essas iniciativas a objetivos corporativos mais amplos. A notícia boa é que a convergência com a esfera social já pode ser constatada hoje, tanto na área pública quanto privada. Editais sintonizados com programas governamentais e com iniciativas da sociedade civil organizada, valorização de projetos com desdobramentos educacionais ou que demonstrem preocupação com a preservação do meio ambiente são exemplos de práticas bem sucedidas. A notícia ruim é que essas iniciativas ainda são exceção.
Minha natureza otimista me obriga a terminar o artigo com uma predição. Empresas que desejam perenizar-se no mercado devem responder aos anseios da sociedade e ir além de seus estatutos. Levado a sério, o patrocínio empresarial pode ser um bom aliado e, por que não dizer, um bom negócio para todos.
(*) Conceito que reúne três pilares da gestão empresarial sobre os quais uma empresa deve sustentar sua estratégia para garantir perpetuidade no mercado: viabilidade econômica, responsabilidade social e proteção ambiental. Alguns autores utilizam também o trinômio profit, people e planet (lucro, pessoas e planeta).
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Via Crúcis da Beleza (ou Ingrato Cotidiano Feminino)
Sei que papo "Patricinha" não combina com o estilo pseudointelectual do blog. Mesmo assim vou arriscar a pseudoreputação do coitado. A vontade de desabafar é maior do que o ego da pseudoescritora. Existe algo pior do que salão de beleza no sábado? Cuidar do cabelo, das unhas e demais acessórios do corpo é prá mim uma verdadeira Via Crúcis, com direito a muito mais do que quatorze estações de sofrimento. Sabe aeroporto em época de férias e promoção da Gol a R$ 100 ida e volta para o Rio? É isso. Você nunca sabe o que esperar. Muito menos QUANTO esperar. Em algum lugar do mundo há de existir o salão de beleza ideal. O mesmo dos nossos sonhos. Um lugar onde hora marcada funciona de verdade. Onde você pinta o cabelo e troca a cor do esmalte sem precisar riscar um sábado inteiro do seu tão disputado calendário da vida. Infelizmente a realidade é bem outra. Haja desperdício de tempo. A impressão que dá é que salão de beleza é um empreendimento comercial que nunca ouviu falar em processo de trabalho. A despeito do crescimento exponencial desse mercado, resultado direto do casamento da ciência com a tecnologia, destoa saber que a qualidade de gestão está anos luz de distância das doutrinas da administração moderna. À medida que o tempo passa, em lugar do esperado atendimento agil e eficiente, proliferam características como lentidão, burocracia e despreparo. Se o negócio não fosse privado, os liberais defenderiam a privatização já. Bons tempos aqueles de mamãe. Saía cedo de casa morena para voltar ruiva menos de 40 minutos depois... Exagero? Provo por a mais b, c e o abecedário inteirinho como não estou enxergando as coisas piores do que elas são. No ultimo sábado, por exemplo, decidi retocar as luzes, pintar as unhas e encarar uma depilaçãozinha básica. Basicona mesmo. Nada dessas novidades ultrasexfashionindiana que a gente ouve falar por aí, morre de curiosidade mas não tem coragem de fazer. Na ilusão de que perderia, no máximo, uma manhã do meu dia, pasme..! Cheguei às dez e saí às dezoito. Isso com tudo agendado. Oito horas sentada. Mais precisamente, 480 minutos de Via Crúcis estética. Sabe lá o que é isso? Um expediente inteiro de trabalho. E sem pausa para almoço. Imaginou o mau humor? Agora presta atenção na novela mexicana. Quinze minutos foram embora de cara para que a recepcionista acessasse meus dados no computador, verificasse os agendamentos e chamasse as profissionais responsáveis por cada um deles (no meu salão só trabalham mulheres). Outros quinze, aguardando a chegada das carrascas, fato em muito amenizado por um cappuccino engordiet incluído na conta. Na minha conta, é claro. Eis que surge à minha frente a primeira designer (não se atreva a chamá-lá de cabelereira) que começa a tagarelar sobre novidades, promoções, cores, tintas e tudo aquilo que te faz interromper uma leitura interessante a troco de nada. "Luzes? A senhora sabia que trabalhamos com mistura de até quatro tons? Fica DI-VI-NO. Bem natural. Até em cabelos castanhos as luzes de mais de duas nuances fazem sucesso. Vale a pena experimentar". Em segundos você se vê em uma ilha cercada de espelhos e catálogos por todos os lados. Depois de perder um tempo enorme folheando tudo, a especialista conclui que a melhor tonalidade para voce é a mesma que havia colocado da última vez. "Não vamos arriscar para garantir o natural. A Rê vai aplicar agora a mistura na raiz, ok?" Entra em cena a ajudante. A pigmentação deve seguir à risca as orientações repassadas pela mestra. Perguntinha inocente: alguma vez na vida você soube repetir com qual diabo de cor tingiram o seu cabelo? Claro que não. A fórmula secreta da Coca-Cola é fichinha perto da matemática química aplicada nos salões de beleza. "Você vai ficar ótima com a 4543.55 misturada com a 9764.89 e um pouquinho da 6589.07 para quebrar o marrom. Garanto que vai combinar com o tom da sua pele." A ajudante chama a ajudante da ajudante para ajudá-la. E lá se vão mais 20 minutos do seu precioso tempo. Em casa você levaria menos de 10. Comigo foram 30. Fora os 20 de espera para a cor chegar ao ponto certo. Outras estações não menos dolorosas se sucedem. Meninas super poderosas materializam-se para cuidar de mãos e pés fatigados. São as manicures, digo, as designers de unhas que, com ajuda dos carrinhos super poderosos, oferecem a você um arco-íris de possibilidades esmálticas, tornando a vida mais difícil do que já é em se tratando de escolhas. Geralmente trabalham em dupla para poupar, segundo elas, o nosso tempo com seus supor poderes. Acredite se quiser. No meu caso, elas finalizaram as tarefas em pouco mais de uma hora, o que trouxe de volta mais reminiscências. Dona Laura fazia as unhas da minha mãe em casa, sozinha, em exatos 45 minutos. Detalhe: mãos e pés. Tem razão. Já não se fazem mais Donas Lauras como antigamente. Alem disso, muita coisa mudou. Só a podologia evoluiu tanto nos últimos anos que agora vem acompanhada de esfoliação, massagem, tecnicas de relaxamento antistress e outras que não me recordo agora. Aparar e pintar as unhas dos pés para calçar uma sandália bonita à noite virou supérfluo em meio a tantas prioridades. Se sobrar tempo, depois de toda a ralação (literalmente digitando) elas cuidam de suas unhas como faria a velha Laura. Para mim, essa etapa durou uma eternidade. Fui obrigada a intercalar tudo com sucessivas lavagens de cabelo e aplicações "parafináticas" em mechas escolhidas aleatoriamente. Para quem conhece a técnica, "puxar luzes" não é tarefa fácil. Muito menos responsabilidade que se delegue a qualquer profissional. É preciso experiência no assunto. E requer amplo domínio das complexas metodologias a base de papel alumínio, cabo fino de pente e grampos. Todo esse rito processual levou-me, de gorjeta, outras duas horas sem direito a reclamação. Cliente sofredora que se preza não reclama. E foi o que fiz. O comportamento exemplar rendeu alguns brindes de consolação: fofocas, indiscrições, novela das oito, políticos e políticas salariais, receitas de bolo e, como não poderia faltar, conselhos sentimentais. Dei um subtotal rápido. Eram 15 horas e 30 minutos quando a ultima faixa de alumínio foi retirada do meu cabelo. Daí vieram a lavagem, a massagem e a hidratação. Irrelevante dizer que agendei apenas a lavagem. Todo mundo sabe que pintar e não hidratar é o mesmo que sair de férias e não viajar. Não adianta nada. Esse é o código. Para ser aceita no clube você deve aceitá-lo. E compreendê-lo. Lembra a história do "jaquê"? Tipo assim: "Já que a senhora vai hidratar, por que não aproveita a massagem que está incluída na promoção da Wella?" Com isso, juntei à soma 40 minutos e algumas dezenas de reais extras. Aproveitei a pausa da touca para fazer um lanchinho. Estava faminta. Porém, logo perdi o apetite ao lembrar que teria de encarar a escova depois da retirada da máscara capilar. Não havia escapatória. Sair do salão com cabelo pingando é passar atestado de pobreza, segundo as amigas patricinhas. Conheço muitas. "Mais 30 minutinhos, no mínimo", pensei desesperada, prazo que se confirmou em parte, permitindo que, finalmente, eu pudesse seguir para a ultima estacão do meu calvário. A sala de depilação. Normalmente as sessões de depilação giram em torno de meia hora. A minha, prá combinar com a faixa etária, ficou na casa dos 40. Ou seja, lá pelas 17 horas e trinta e cinco minutos alcancei o caixa, não sem antes ser gentilmente convencida a levar alguns produtos para casa, os quais completariam o trabalho feito no salão. Nesse momento veio a curiosidade. Quis entender o motivo pelo qual nenhum estudante de administração teve até hoje a brilhante ideia de propor uma revolução nos modelos de negócio dos salões de beleza. Reengenharia, remodelagem, reestruturação... Qualquer modismo do gênero serviria, desde que terminasse com a expressão "de processos". No dia que fizerem um estudo assim, sugiro iniciar a mudança pela seleção do quadro funcional. Pré-requisito: MUDA. Vedada a comunicação com clientes, avisaria a placa pendurada na recepção. Sugiro, ainda, disponibilizar o cardápio de produtos em meio impresso e digital, contendo tabela de preços e tempo máximo de espera para cada item relacionado no menu, o que chamaria de "melhor estilo Disney de ser". De quebra, iPad (ou minibiblioteca, se você é avessa à onda hightech), café, sala de ginastica e cinema cult. Pequenas grandes ações que transformariam por completo esse ambiente surreal, com o qual não apenas convivemos como também depositamos vez ou outra razoável percentual do nosso salário. Sem falar no principal: o lema da empresa. Proponho uma frase que sintetize a nova estratégia: "Satisfação garantida ou seu TEMPO de volta".
segunda-feira, 6 de junho de 2011
NASCOXISMO
Talvez você não tenha ligado o nome à pessoa, mas posso garantir que o "NASCOXISMO" também faz parte da sua vida. No campo profissional os exemplos pululam. De alegria e sem-vergonhice. Urgente, prioritário, imediato, rápido, já..! São expressões que ouvimos diariamente, cujo efeito pavloviano provoca repetição inconsciente. Seja no restaurante, no posto de gasolina ou na loja da esquina... tudo é prá ontem. Exceto o resultado que fica para sempre. Mais conhecido como "NAS COXAS", o trabalho apressado gera filhos indesejáveis, degenerados e que, cedo ou tarde, terão desperdiçado o investimento financeiro da família. Não é à toa que um grande amigo meu mandou pendurar em seu escritório um poster gigante com a seguinte frase: "A PRESSA PASSA E A MERDA FICA". Não costumo fazer apologia da lentidão ou da incompetência. Muito menos ignoro o fato de que determinadas ações nascem com dead-line, ou seja, com prazo pré-determinado para que aconteçam. De nada adianta, por exemplo, a personalização de embalagens de ovos de chocolate se estes forem entregues aos clientes somente após a Páscoa. Melhor vendê-los em seu formato padrão. Em contraponto, um sistema de informática, cujo objetivo é automatizar o processo produtivo de uma indústria, deve ser muito bem planejado, especificado e disseminado, o que necessariamente consome tempo. Investir em horas, dias ou meses a mais é evitar danos irreversíveis à organização. Nesse caso, a ironia recai sobre o funcionário que, habituado à rotina estressante da falta de prazo, sente-se perdido quando lhe é dada a chance de pensar e planejar suas atividades com antecedência. É possível flagrá-lo fazendo coisas irrelevantes, enquanto deixa de lado aquilo que é prioridade zero. Até que chega o momento em que o prazo se esgota e a demanda volta a circular na esteira das ações ditas prá ontem. Apenas quando isso ocorre é que ele começa a correr atrás do prejuízo. Aliás, correr atrás do prejuízo virou moda, diferencial competitivo, ou se preferir, a especialidade mais valorizada pelos headhunters do momento. O "NASCOXISMO" não é privilégio do ambiente privado. A esfera pública também foi contaminada pela mesma doença, responsável pela mesma fragilidade, mesma indefinição e mesma falta de controle presentes na burocracia do Estado. A causa da enfermidade varia, podendo ser agravada pelo servidor que não trabalha para quem banca seu salário (contribuinte), mas para quem ocupa o cargo hierarquicamente superior ao dele (chefe imediato). De simples diagnóstico, os sintomas do "NASCOXISMO" são inconfundíveis: retrabalho, custos elevados, despesas extras, promoção da mediocridade e visão de curtíssimo prazo. Já os doentes apresentam comportamentos bastante similares. Vangloriam-se de que "entregam qualquer coisa no prazo que for", não importa o que, como ou a que custo. O que me conforta é saber que o "NASCOXISMO" tem cura. Afinal, toda vez que alguém precisa de cuidados médicos os "NASCOXISTAS" são substituídos pelos melhores especialistas do mundo.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
Tic-Tac do Amor
Pura perda de tempo essa história de tentar entender o tempo. Ainda no surgir da civilização, já era ele considerado o grande mistério da humanidade. A consciência de sua existência tem ditado a sanidade do homem. Não por acaso, a teoria de que o tempo passa mais rápido a cada minuto ganhou milhões de adeptos em todo o mundo. Surgiram teses de toda qualidade: crenças populares, estudos filosóficos e, até mesmo, teorias científicas.
A rotina, fruto do estresse da vida urbana, é uma dessas teses, tendendo mais para a crendice do que qualquer outra coisa. Segundo ela, acostumados a fazer sempre as mesmas atividades diárias, nossa atenção foi progressivamente desviada para o que chamamos de "piloto automático". Agimos sem perceber o que estamos fazendo. Da mesma forma que o ar enche nossos pulmões para, em seguida, deixá-los sem avisar, a vida enche nossos sentidos sem que possamos percebê-la e aproveitá-la da maneira que gostaríamos. Se o tempo leva embora a vida, por sua vez, a vida leva o tempo embora. O mesmo tempo que falta quando se descobre que 24 horas não são suficientes para tudo aquilo que é preciso fazer. Avolumam-se tarefas registradas no caderninho vermelho, na agenda de couro ou na pasta do outlook. Sempre em número superior àquelas já concluídas, as pendências multiplicam-se como coelhos, enquanto as poucas finalizadas são assinaladas com um X vermelho ao lado. A meu ver míope, o tempo é a tradução humana da vida. E de sua finitude, seja ela analógica ou digital. Independentemente da cultura, sempre haverá quem viva sem tempo para viver.
Outra tese que se propõe a explicar o tempo tem a ver com a diferença entre dia sideral e dia solar, velocidade, circunferência, elipse e outros quetais. Por ela apregoa-se que a rotação da Terra está aumentando. Assim, em vez de 24 seriam 12 o número de horas gastas hoje para o planeta dar a volta em torno se seu próprio eixo. A única vantagem que vejo em acreditar nessa teoria é que, em vez de 44 anos, eu passaria a ter 22. Um desconto de 50%, sem anestesias, cortes ou esticadas doloridas. E o mais importante: de graça! Além de tudo, economizaria o tempo do pós-operatório.
Para finalizar e evitar que você desperdice ainda mais o tempo do seu domingo, depois do empate desperdiçado do Mengão com o Bahia, eis um conselho que considero atemporal: nunca tente entender ou controlar o tempo. Corte caminho pela via do amor. Só o amor tem o poder de parar o tempo e fazer você sentir tudo de novo...
A rotina, fruto do estresse da vida urbana, é uma dessas teses, tendendo mais para a crendice do que qualquer outra coisa. Segundo ela, acostumados a fazer sempre as mesmas atividades diárias, nossa atenção foi progressivamente desviada para o que chamamos de "piloto automático". Agimos sem perceber o que estamos fazendo. Da mesma forma que o ar enche nossos pulmões para, em seguida, deixá-los sem avisar, a vida enche nossos sentidos sem que possamos percebê-la e aproveitá-la da maneira que gostaríamos. Se o tempo leva embora a vida, por sua vez, a vida leva o tempo embora. O mesmo tempo que falta quando se descobre que 24 horas não são suficientes para tudo aquilo que é preciso fazer. Avolumam-se tarefas registradas no caderninho vermelho, na agenda de couro ou na pasta do outlook. Sempre em número superior àquelas já concluídas, as pendências multiplicam-se como coelhos, enquanto as poucas finalizadas são assinaladas com um X vermelho ao lado. A meu ver míope, o tempo é a tradução humana da vida. E de sua finitude, seja ela analógica ou digital. Independentemente da cultura, sempre haverá quem viva sem tempo para viver.
Outra tese que se propõe a explicar o tempo tem a ver com a diferença entre dia sideral e dia solar, velocidade, circunferência, elipse e outros quetais. Por ela apregoa-se que a rotação da Terra está aumentando. Assim, em vez de 24 seriam 12 o número de horas gastas hoje para o planeta dar a volta em torno se seu próprio eixo. A única vantagem que vejo em acreditar nessa teoria é que, em vez de 44 anos, eu passaria a ter 22. Um desconto de 50%, sem anestesias, cortes ou esticadas doloridas. E o mais importante: de graça! Além de tudo, economizaria o tempo do pós-operatório.
Para finalizar e evitar que você desperdice ainda mais o tempo do seu domingo, depois do empate desperdiçado do Mengão com o Bahia, eis um conselho que considero atemporal: nunca tente entender ou controlar o tempo. Corte caminho pela via do amor. Só o amor tem o poder de parar o tempo e fazer você sentir tudo de novo...
domingo, 15 de maio de 2011
Os 3 Ps da Gestão Pública
Tempos atrás escrevi um artigo sobre gestão empresarial no qual citava o tripé da sustentabilidade. Conhecido no meio acadêmico como triple bottom line, esse modelo trouxe para as organizações a consciência de que nenhuma empresa consegue sobreviver ancorada apenas em resultados medidos pelos demonstrativos contábeis. Duas outras vertentes são essenciais à estratégia. Uma diz respeito ao viés social, ou seja, ao retorno dado à sociedade em função do crescimento do negócio. A outra, cada dia mais forte, revela que não basta dar lucro e manter programas desenvolvidos no campo da responsabilidade social. Para garantir um lugar ao sol, as empresas devem também cuidar do meio ambiente, sob risco de deteriorarem, além da matéria-prima, outro ativo ainda mais relevante: sua reputação.
Na área publica as necessidades em termos de gestão estratégica são similares ao modelo privado, do qual guarda enorme distância. Um dos motivos é o fato de que, ao desenvolver e implantar uma política pública, o gestor, independentemente da esfera de atuação, não se preocupa em institucionalizá-la ou torná-la perene. Sua visão é predominantemente difusa, com objetivos de curtíssimo prazo. Nem sempre fica claro onde se quer chegar. Faltam projetos estruturantes, que ajudem a resolver problemas de interesse coletivo e promovam o desenvolvimento sócio-ambiental do município, estado ou país. O gestor publico não é preparado para perceber que tudo está interligado, não existindo mais política de governo que não seja intersetorial. Assim como nas empresas, a qualidade do resultado ocorre em função da qualidade do modelo de gestão. É preciso pensar política pública considerando o mesmo tripé do meio empresarial privado; sobretudo, propor ações governamentais articuladas, que não desconsiderem na sua matriz de análise possíveis impactos ambientais negativos ou piora dos indicadores sociais.
Inspirar-se nas boas praticas privadas é um bom caminho. Sistemas de medição de desempenho empresarial podem ser adaptados para a área pública. A exemplo do Balanced Scorecard de Kaplan e Norton, há que se desenvolver um painel de controle para monitorar os processos internos do setor público, a performance das equipes, a capacidade de inovação e os avanços tecnológicos. Ainda dentro do BSC é imprescindível buscar o desejável equilíbrio entre medidas financeiras e não-financeiras, tendo como meta prioritária a elaboração de políticas públicas sustentáveis.
Eu, com minha mania de simplificar tudo, recomendo que se responda cinco perguntinhas básicas antes de se colocar na rua um novo bloco da políticas públicas:
1) quanto custa para a sociedade?
2) o que o cidadão ganha no curto, médio e longo prazo?
3) quais os impactos ambientais e retornos sociais esperados?
4) os processos são racionais ou se pretende informatizar o caos?
5) os resultados são passíveis de medição?
Na área publica as necessidades em termos de gestão estratégica são similares ao modelo privado, do qual guarda enorme distância. Um dos motivos é o fato de que, ao desenvolver e implantar uma política pública, o gestor, independentemente da esfera de atuação, não se preocupa em institucionalizá-la ou torná-la perene. Sua visão é predominantemente difusa, com objetivos de curtíssimo prazo. Nem sempre fica claro onde se quer chegar. Faltam projetos estruturantes, que ajudem a resolver problemas de interesse coletivo e promovam o desenvolvimento sócio-ambiental do município, estado ou país. O gestor publico não é preparado para perceber que tudo está interligado, não existindo mais política de governo que não seja intersetorial. Assim como nas empresas, a qualidade do resultado ocorre em função da qualidade do modelo de gestão. É preciso pensar política pública considerando o mesmo tripé do meio empresarial privado; sobretudo, propor ações governamentais articuladas, que não desconsiderem na sua matriz de análise possíveis impactos ambientais negativos ou piora dos indicadores sociais.
Inspirar-se nas boas praticas privadas é um bom caminho. Sistemas de medição de desempenho empresarial podem ser adaptados para a área pública. A exemplo do Balanced Scorecard de Kaplan e Norton, há que se desenvolver um painel de controle para monitorar os processos internos do setor público, a performance das equipes, a capacidade de inovação e os avanços tecnológicos. Ainda dentro do BSC é imprescindível buscar o desejável equilíbrio entre medidas financeiras e não-financeiras, tendo como meta prioritária a elaboração de políticas públicas sustentáveis.
Eu, com minha mania de simplificar tudo, recomendo que se responda cinco perguntinhas básicas antes de se colocar na rua um novo bloco da políticas públicas:
1) quanto custa para a sociedade?
2) o que o cidadão ganha no curto, médio e longo prazo?
3) quais os impactos ambientais e retornos sociais esperados?
4) os processos são racionais ou se pretende informatizar o caos?
5) os resultados são passíveis de medição?
sexta-feira, 13 de maio de 2011
O que é ARTE?
Pigmentos, fotogramas, animações, letras, formas, designs, movimentos, ângulos, rimas, gravuras, desenhos, sons, silêncios, performances, libretos, aquarelas, moldagens, insigths, coreografias, pixels, roteiros, cifras, odes e elegias...
Qualquer que seja a linguagem, a verdadeira ARTE está em saber CONTAR HISTÓRIAS!
Qualquer que seja a linguagem, a verdadeira ARTE está em saber CONTAR HISTÓRIAS!
quarta-feira, 11 de maio de 2011
É o fim do mundo..!
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Fiquei sabendo hoje que o fim do mundo foi antecipado. De 2012, conforme nos revelou John Cusack há dois anos, veio para 2011, exatamente no próximo dia 21 de maio, segundo um grupo cristão norte-americano chamado Family Radio. Eu achei que o fim do mundo aconteceria no dia da morte de Bin Laden mas, felizmente, nada aconteceu. Minha mãe sempre acreditou na velha profecia “mil passará e dois mil não chegará”, atribuída a trechos bíblicos e a Nostradamus. Passaram-se 11 anos da virada do milênio e a vida continua passando bem, obrigada. Minha avó disse para minha irmã que o fim do mundo havia chegado quando ela entrou em casa rebolando com seu fio dental azul. Não o higiênico, o outro..! A escatologia assusta, atrai, incita, inspira e, se dela duvidar, pira também. O que me fez escrever este post foi a necessidade de dividir com você o resultado de uma pesquisa recentemente realizada para descobrir qual a primeira coisa que as pessoas fariam se tivessem certeza de que a roda da vida deixaria de girar. A maior parte largaria o trabalho na mesma hora, o que não surpreende, já que a resposta coincide com outra sobre o que fariam se ganhassem na loteria. O mais curioso está nas respostas dadas pelas minorias. Os avarentos, por exemplo, gastariam a poupança de uma vida inteira em bares, shoppings e restaurantes. Em paralelo, os banqueiros subiriam os juros diante do súbito aumento da demanda provocada pela falta de juízo final. As anoréxicas, bulímicas e gordinhas complexadas trocariam o regime da sopa pelo rodízio de pizza com sorvete de açaí, banana e granola grátis. Os mais românticos correriam para os braços da família e descobririam coisas sobre ela que jamais ousaram imaginar. Os mais afoitos se suicidariam, certos de que “não se deve deixar a morte para o dia 21 se você pode morrer hoje”. Os revolucionários tentariam mais uma vez salvar a pátria antes que ela fosse para o espaço junto com o planeta. Os intelectuais, de esquerda e de direita, seriam unidos pelo centro da loucura que os obrigaria a escolher o derradeiro livro, o último filme, a música final que curtiriam na passagem para a eternidade. Ops! Falha técnica. Intelectual que se preza não acredita em eternidade, o que dá a eles ainda mais razão para perderem de vez a razão. A geração y surfaria nas ondas da net até o último byte do dia 20. As crianças comemorariam o primeiro Natal fora de época. Os artistas trocariam a arte pela vida pouca que lhes resta. Os otimistas achariam um jeito de explicar a todos o lado bom da morte. Os botafoguenses botariam fogo na camisa do time, já que a esperança da vitória não seria mais a última a morrer. Por fim, para não dizer que não falei das flores, os mais espertos, sensatos e equilibrados fariam sexo até a chegada do dia D...
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Nando Faro comemora hoje 50 anos de idade! Nem parece!!!
http://www.facebook.com/photo.php?pid=108278&l=ad5b2e967b&id=100001797675648
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Em que posso ajudar?
- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia! Em que posso ajudar?
- Gostaria de fazer uma reclamação.
- Ok, senhor, um instante que vou transferir sua ligação para o setor responsável.
(10 minutos de espera e a ligação cai)
-------------
- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia! Em que posso ajudar?
- Liguei há pouco para registrar o defeito de um produto e...
- Um minuto que estou transferindo sua ligação.
- Espere! Espere!!!
(15 minutos de espera e a ligação cai)
-------------
- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia! Em que posso ajudar?
- Olha aqui: se essa @&$@& cair de novo eu não respondo por mim!!!
- Acalme-se, senhor. Em que posso ajudar?
- Já disse mil vezes: quero fazer uma reclamação. Eu fiz uma compra e...
- Sr., aguarde um instante que vou transferir sua ligação.
- Não se atreva! Vai se arrepender se me transferir de novo. Quero falar com o supervisor agora!
- Pois não, Sr. Vou transferir para o setor de supervisão.
(20 minutos de espera e a ligação cai)
------------
- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia. Em que posso ajudar?
- Quero dar queixa contra essa $&@@& de empresa e simplesmente não consigo!!!
- Sr., infelizmente terei de transferi-lo, pois o setor que cuida disso é outro.
- E vocês cuidam do que, afinal?
- Nós fazemos a triagem.
- Ah, sei. Vocês transferem as ligações dos clientes para os setores certos, certo?
- Certo. Certíssimo, senhor.
- Não seria mais barato comprar uma URA?
- Desculpe, senhor, uma o que?
- Unidade de Resposta Audível.
- Não conheço, senhor. Deve ser tecnologia nova.
- Não, meu filho, é tecnologia velha mesmo. E bota velha nisso!
- Engraçado... O Sr. falando assim... sua voz... lembra alguém. Qual é o seu nome?
- Felipe???
- O nome do senhor é Felipe? Então é meu xará!
- Felipe? É você? Xará coisa nenhuma. É teu pai que tá falando. Não reconheci tua voz. Desde quando vc trabalha? E a faculdade?
- Ih, paizão, transferi para a noite. Daí consegui esse bico prá ganhar um troco. Sabe como é, né? A mesada anda meio curta.
- Presta atenção, moleque: não vou discutir isso agora. A gente conversa em casa. Ai..! Que pontada!
- O que foi paizão?
- Nada. É a safena. Não posso me estressar. Chega de enrolação e me ajude a registrar a queixa logo.
- Queixa? Que queixa?
- Contra a @&$&@ da empresa, ora!
- Ah! Espera um pouquinho que vou te transferir.
- Vai mesmo? Olha que sou teu pai e não um cliente qualquer!
- Ô pai... Mesmo que não fosse, né? Cliente tem sempre razão aqui no SAC. Peraí...
(30 minutos de espera e a ligação cai)
-----------
- Emergência Hospitalar, bom dia! Em que posso ajudar?
- Acho que estou tendo um ataque e preciso de uma ambulância urgente.
- O que aconteceu, senhor?
- Estava tentando fazer uma reclamação no SAC e...
- Ah! Serviço de Atendimento ao Cliente? Um momentinho, por favor.
- Não... Por favor, não transfira! Arg..!
(40 minutos de espera e a ligação cai)
----------
- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia. Em que posso ajudar?
- Fe... lipe... preciso... falar... ele...
- Como? O Sr. poderia repetir, por favor? A ligação está cortada.
- Res... pirar... eu... eu não... con sigo... res... sigo!!!
- Recibo? Um instante que vou transferi-lo para o setor responsável.
(10 minutos de espera e a ponte cai)
- Gostaria de fazer uma reclamação.
- Ok, senhor, um instante que vou transferir sua ligação para o setor responsável.
(10 minutos de espera e a ligação cai)
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- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia! Em que posso ajudar?
- Liguei há pouco para registrar o defeito de um produto e...
- Um minuto que estou transferindo sua ligação.
- Espere! Espere!!!
(15 minutos de espera e a ligação cai)
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- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia! Em que posso ajudar?
- Olha aqui: se essa @&$@& cair de novo eu não respondo por mim!!!
- Acalme-se, senhor. Em que posso ajudar?
- Já disse mil vezes: quero fazer uma reclamação. Eu fiz uma compra e...
- Sr., aguarde um instante que vou transferir sua ligação.
- Não se atreva! Vai se arrepender se me transferir de novo. Quero falar com o supervisor agora!
- Pois não, Sr. Vou transferir para o setor de supervisão.
(20 minutos de espera e a ligação cai)
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- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia. Em que posso ajudar?
- Quero dar queixa contra essa $&@@& de empresa e simplesmente não consigo!!!
- Sr., infelizmente terei de transferi-lo, pois o setor que cuida disso é outro.
- E vocês cuidam do que, afinal?
- Nós fazemos a triagem.
- Ah, sei. Vocês transferem as ligações dos clientes para os setores certos, certo?
- Certo. Certíssimo, senhor.
- Não seria mais barato comprar uma URA?
- Desculpe, senhor, uma o que?
- Unidade de Resposta Audível.
- Não conheço, senhor. Deve ser tecnologia nova.
- Não, meu filho, é tecnologia velha mesmo. E bota velha nisso!
- Engraçado... O Sr. falando assim... sua voz... lembra alguém. Qual é o seu nome?
- Felipe???
- O nome do senhor é Felipe? Então é meu xará!
- Felipe? É você? Xará coisa nenhuma. É teu pai que tá falando. Não reconheci tua voz. Desde quando vc trabalha? E a faculdade?
- Ih, paizão, transferi para a noite. Daí consegui esse bico prá ganhar um troco. Sabe como é, né? A mesada anda meio curta.
- Presta atenção, moleque: não vou discutir isso agora. A gente conversa em casa. Ai..! Que pontada!
- O que foi paizão?
- Nada. É a safena. Não posso me estressar. Chega de enrolação e me ajude a registrar a queixa logo.
- Queixa? Que queixa?
- Contra a @&$&@ da empresa, ora!
- Ah! Espera um pouquinho que vou te transferir.
- Vai mesmo? Olha que sou teu pai e não um cliente qualquer!
- Ô pai... Mesmo que não fosse, né? Cliente tem sempre razão aqui no SAC. Peraí...
(30 minutos de espera e a ligação cai)
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- Emergência Hospitalar, bom dia! Em que posso ajudar?
- Acho que estou tendo um ataque e preciso de uma ambulância urgente.
- O que aconteceu, senhor?
- Estava tentando fazer uma reclamação no SAC e...
- Ah! Serviço de Atendimento ao Cliente? Um momentinho, por favor.
- Não... Por favor, não transfira! Arg..!
(40 minutos de espera e a ligação cai)
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- Serviço de Atendimento ao Cliente, bom dia. Em que posso ajudar?
- Fe... lipe... preciso... falar... ele...
- Como? O Sr. poderia repetir, por favor? A ligação está cortada.
- Res... pirar... eu... eu não... con sigo... res... sigo!!!
- Recibo? Um instante que vou transferi-lo para o setor responsável.
(10 minutos de espera e a ponte cai)
terça-feira, 19 de abril de 2011
Qual bullying ???
Em uma escala que vai da inconveniência à crueldade, o bullying está muito mais presente fora da escola do que se imagina. Ele nasce da falta de educação. Cresce alimentado pelo preconceito. Manifesta-se, nos casos mais raros, por meio de atitudes que beiram o sadismo. Não importa a idade, sexo ou time para o qual se torce, em maior ou menor grau, somos ora vítimas ora algozes dessas agressões rotineiras que se convencionou chamar de bullying. A questão é: qual tipo de bullying estamos tratando? Em casa, com irmãos ou primos, quem nunca presenciou uma cena de bullying familiar? Sabe aquela menina séria, gordinha e que usa óculos “fundo de garrafa”? A recordista de apelidos? Não é difícil imaginá-la. Minha miopia foi durante anos motivo de gozação de parentes. Nas festinhas da adolescência, quem nunca viu o rapaz tímido e franzino ser constantemente isolado pelos grupinhos que o consideravam “out” e certinho demais para fazer parte da turma? A isso chamamos bullying social? Duvido que no trabalho não se tenha, alguma vez, presenciado a pressão psicológica das equipes sobre o empregado novato; aquele cara que discute tudo, pergunta tudo e quer sempre inovar. O coitado é alvo certo do bullying empresarial (esse o Google conhece). Se aprofundarmos o assunto, podemos chegar às perseguições religiosas, traçando sua evolução da Idade Média até o novo Milênio. Bullying sagrado? Teológico? Ainda não inventaram o nome certo para essa e outras intolerâncias. Até bullying geográfico (ou regional, se preferir) existe por aí. Em SP, todo nordestino é “baiano”. No Rio, “paraíba” atende melhor. Pior mesmo são os candangos. Sofre quem nasce ou mora na capital da República. O que deveria ser motivo de orgulho, é razão de constrangimento, ofensa e até humilhação. Brasília é tida indevidamente como reduto de corruptos e criminosos. Contra ela o bullying é intenso, especialmente o bullying jornalístico, praticado pela imprensa que se autoproclama nacional. Para completar minha lista bullymática, chamo atenção para um tipo que tem se revelado extremamente perigoso: o bullying ideológico. De risco epidêmico, seus efeitos colaterais são tão devastadores que ameaçam qualquer pacto social. É de longe o mais cruel. Ao padronizar o pensar, o bullying ideológico também escraviza, sem pensar...
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